A exibição das peças obedece a uma sequência cronológica que se inicia com a produção do vidro e cristal em 1824 e se estende até à actualidade.
EXPOSIÇÃO PERMANENTE
SALA DO FUNDADOR
José Ferreira Pinto Basto (1774 – 1839)
A primeira sala de exposição dedica-se a José Ferreira Pinto Basto e seu papel enquanto fundador da primeira empresa de fabrico de porcelana em Portugal e o contributo essencial dado para o panorama nacional de industrialização. Através objectos diversos ligados á sua vida pessoal ou familiar, procura ajudar a compreender as múltiplas facetas desta individualidade, suas vivências políticas, sociais, actividades empresariais, bem como o papel de destaque que desempenhou na sociedade portuguesa da altura.
O VIDRO (1824 - 1880)
A Real Fábrica da Vista Alegre começou por fabricar vidro e cristal enquanto empreendia empenhados esforços para a produção da porcelana. Com a contratação de profissionais especializados alcançou um elevado nível técnico e artístico, sendo testemunho da perfeição alcançada os delicados trabalhos de incrustação de medalhões.
Em 1880 a Vista Alegre terminou a produção de vidro, dedicando-se exclusivamente ao fabrico de porcelana.
1º PERÍODO (1824 – 1834)
Experiências e primeiros ensaios
Os primeiros ensaios realizados na Vista Alegre foram de porcelana imperfeita de pasta mole, chamada loiça “pó de pedra”.
Para a produção de porcelana era essencial uma argila capaz de suportar a fusão dos componentes: o caulino. Foi apenas com a descoberta casual deste material em 1832, por Luís Pereira Capote, que se concretizaram os ensaios para a produção da “verdadeira” porcelana.
João Maria Fabre e Manuel da Silva Ramos, pintores de mérito, irão ser os precursores da futura escola de pintura da Vista Alegre, iniciando um movimento que se irá distinguir pela sua qualidade e rigor artístico.
Era o início de uma longa tradição portuguesa de arte em porcelana.
2º PERÍODO (1835 – 1852)
O Esplendor do Ouro
Período áureo da produção Vista Alegre onde se destacou a contratação de Victor Rousseau, técnico francês de grande prestígio, que se distinguiu pelas suas qualidades enquanto desenhador e pintor.
Rousseau fundou a primeira escola de pintura e foi responsável pela formação das gerações de mestres responsáveis pela manutenção do elevado nível artístico da produção da empresa.
3º PERÍODO (1853 – 1869)
A Arte na Pintura Cerâmica
Fase que se caracterizou ao nível estético pelo lirismo e a delicadeza das decorações. Gustave Fortier, seguidor de Rousseau, notabilizou-se enquanto pintor pelas suas composições delicadas e graciosas, muitas vezes envolvidas por grinaldas de flores, fitas e ornatos.
Em 1852 o Rei D. Fernando II visitou as instalações da Vista Alegre, tendo sido encomendada na altura uma baixela completa para a Casa Real.
4º PERÍODO (1870 – 1880)
O Desenho
Trata-se de um período de dificuldades, traduzidas não só pela escassez de novos modelos e decorações, rarefacção de capital como, porventura, pela ausência de uma conveniente gestão comercial.
Destacou-se a notável acção pedagógica de Joaquim José de Oliveira que, com determinação, manteve o nível artístico dos pintores da fábrica dando um novo impulso ao desenho à pena.
5º PERÍODO (1881 – 1921)
A Arte Nova
Sob influência das dificuldades infligidas pela Primeira Guerra Mundial a crise aprofundou-se durante o período de 1881 a 1921. Destacou-se, porém, o pintor Duarte Magalhães, que conseguiu manter em funcionamento a Escola de Desenho e Pintura, perpetuando a tradição de qualidade artística da Fábrica.
6º PERÍODO (1922 – 1947)
O Ressurgimento
Tempo de reestruturação e reconstrução. O novo Administrador, João Theodoro Ferreira Pinto Basto, com a sua reconhecida inteligência e perseverança, aceitou os desafios do seu tempo: dinamizou o fabrico, renovou serviços e instalações, ampliou mercados. Em paralelo ao desenvolvimento produtivo e tecnológico assistiu-se a uma importante renovação artística.
7º PERÍODO (1947 – 1968)
A Expansão
Com a consolidação da capacidade tecnológica, obtida através do reapetrechamento de maquinaria e desenvolvimentos no sector técnico e laboratorial, verificou-se uma notória expansão no fabrico e desenvolvimento da capacidade de exportação. Neste período a Vista Alegre entrou numa nova época.
A Fábrica, chegada à sua maturidade, dá assistência técnica e artística a outras fábricas europeias.
É instaurada a tradição de peças únicas de enorme qualidade e prestígio, desenvolvidas para grandes personalidades a nível mundial.
8º PERIODO (1968 – 1997)
A dura prova
Prosseguem a modernização e ampliação dos meios produtivos e instalações.
Em 1983 foi organizado o Gabinete de Orientação Artística (GOA) e em 1985 criou-se o Centro de Arte e Desenvolvimento da Empresa (CADE) com o objectivo de controlo da qualidade e fomento de novos modelos e decorações.
9º PERÍODO (1997 - … )
Hoje
A Fábrica de Porcelana da Vista Alegre é um dos seis maiores produtores de porcelana do mundo, ocupando o lugar de honra na porcelana portuguesa.
A enorme qualidade da porcelana da Vista Alegre e o valor artístico das suas peças abre-se às influências contemporâneas conciliando modernidade com a tradição e uma personalidade inconfundível.
O design, a criatividade e o serviço ao cliente são o objectivo principal da Vista Alegre, garantindo que cada peça que produz traz consigo um passado, um presente, um valor que perdura nas mãos de quem a possui.
TEMPORÁRIAS - ARQUIVO
2003 - SERVIÇOS DE MESA (SÉC. XIX - XX)
2004 - SAÚDE, HIGIENE E BELEZA
2005 - INOVAÇÃO E “ART-DECO” NO PERÍODO DE JOÃO THEODORO FERREIRA PINTO BASTO
2006 - ARTE DA PINTURA CERÂMICA NA VISTA ALEGRE. SABER, TRADIÇÃO E MODERNIDADE
2007 - ESCULTURA CERÂMICA NA VISTA ALEGRE. TÉCNICA, MOVIMENTO E ARTE
2008 - PARCERIAS ARTÍSTICAS NA VISTA ALEGRE. RENOVAÇÃO E MODERNIDADE 2009 - OLHAR O MUNDO ATRAVÉS DA PORCELANA. A FÁBRICA DA VISTA ALEGRE.
SERVIÇOS DE MESA
SÉC. XIX – XX
24 de Junho a 25 de Julho de 2003
A Vista Alegre ao longo do seu percurso tem produzido um sem número de serviços que com o seu encanto e qualidade alegram e dão prestígio ás nossas festas. Esta mostra temporária procurou compreender a evolução artística e técnica dos serviços de chá, café e mesa, desde 1824 até ao século XX.
É de salientar que o estudo dos serviços de mesa e o modo da sua utilização tem contribuído para avaliar a flutuação dos gostos, assim como para a leitura da história das artes decorativas na Europa.
SAÚDE, HIGIENE E BELEZA
1880 – 1968
5 de Julho a 31 de Julho de 2004
Mostra que deu a conhecer alguns objectos de produção Vista Alegre e sua contribuição para o desenvolvimento da indústria farmacêutica e para o bem-estar e saúde no ambiente hospitalar. Neste contexto, podemos destacar, por exemplo, as bacias, arrastadeiras, irrigadores, jarros medidores, almofarizes, bules para doentes acamados, potes de farmácia, etc..
Integraram esta exposição temporária outros objectos de particular interesse como sejam jarros, bacias, caixas para escova de dentes, para esponjas e sabonetes, para pós branqueadores para dentes, etc., reveladores da importância que a porcelana assumiu enquanto material adequado para prática de uma boa higiene, principio primeiro e indispensável para defender e promover a saúde do homem.
Nos objectos criados pela Vista Alegre existiu igualmente uma vasta gama de recipientes dedicados à beleza desde espelhos, cabos de escovas, boiões para cremes, frascos de perfume, suportes para alfinetes de cabelo, caixas para ganchos, para pó de arroz, para rouges, etc.
INOVAÇÃO E “ART-DECO” NO PERÍODO DE JOÃO THEODORO FERREIRA PINTO BASTO
1922 – 1947
1 de Junho a 10 de Julho de 2005
Exposição Temporária que contemplou a produção cerâmica da Vista Alegre no período compreendido entre 1922 e 1947. Período de administração de João Theodoro Ferreira Pinto Basto foi fortemente marcado pelas palavras ressurgimento e inovação. O dinamismo e competência deste administrador, aliado ao conjunto dos seus operários e mestres, elevou a Fábrica da Vista Alegre a um nível, que a fez ocupar um lugar de destaque entre as suas congéneres europeias.
O conjunto de peças “Art Déco” expostas é evidência de como este novo movimento artístico europeu foi bem compreendido e interpretado.
ARTE DA PINTURA CERÂMICA NA VISTA ALEGRE
SABER, TRADIÇÃO E MODERNIDADE
27 de Junho a 15 de Julho 2006
Exposição Temporária que procurou, com objectos da reserva do Museu, valorizar o trabalho desenvolvido por sucessivas gerações de pintores e sua contribuição para a construção da identidade e marca Vista Alegre.
Integrou objectos em porcelana, desde as experiências em pó de pedra dos inícios da laboração (1824) até à década de 70 do séc. XX.
Entre alguns dos artistas representados nesta mostra podemos referir o nome de João Maria Fabre, Manuel da Silva Ramos, Cândido da Silva, Duarte Magalhães, António Egídio, Ângelo Chuva, Palmiro Peixe, Mário Catarino, Silvério da Conceição, Susana Racz, Armando Pimentel, entre outros.
Estiveram igualmente expostos desenhos e livros de anotações de pintores, pertença do arquivo documental do Museu.
A complementar esta mostra o visitante podia ainda apreciar uma secção dedicada a técnicas e materiais recorrentes na arte da pintura cerâmica com exposição de pincéis, tintas, experiências de cores, paletas, ponteiras de ágata etc.
ESCULTURA CERÂMICA NA VISTA ALEGRE
TÉCNICA, MOVIMENTO E ARTE
29 de Junho a 20 de Julho de 2007
Mostra com objectos da reserva que teve como principal objectivo dar a conhecer a tradição de elevado prestígio e qualidade técnica da Vista Alegre na produção de escultura.
Tendo como ponto de partida o estudo da produção escultórica na Vista Alegre, desde o início da laboração até ao século XX, procurou abordar e explorar os conceitos de técnica e arte, suas complementaridades e contradições.
Estiveram representados trabalhos de modeladores da Vista Alegre como Armando de Andrade e Joaquim de Andrade, bem como obras de escultores e artistas nacionais de referência, desde Leopoldo de Almeida, Simões de Almeida Sobrinho, Numídico Bessone, Maximiliano Alves, Delfim Maya, Cabral Antunes, Américo Gomes, Roque e Rui Gameiro. Complementaram esta mostra alguns nomes de referência internacional como Donald Brindley, Georges Baudry ou Hubay Cebrian.